Item List

Etinia

Desde o início da colonização a religião predominante foi a católica, com um acentuado número de adeptos da Congregação Cristã no Brasil, aqui existente desde 1940, bem como de algumas famílias de presbiterianos.
Atualmente cresceu muito o contingente de evangélicos, com salas de cultos de diversas seitas.

Historico Urbano


A Companhia Melhoramentos Norte do Paraná, colonizadora desta vasta e rica região, não acreditou que pudesse surgir uma cidade tão próxima de Apucarana e de Jandaia do Sul. Assim, projetou a Vila Itacolomi, com 314.000 m2, equivalente a 12,97 alqueires, que se constitui hoje na sede do município de Novo Itacolomi.
A força de vontade e a confiança no futuro estavam impressos em alguns de seus pioneiros. Assim, em 1947, o Sr. Marcos José Calsavara, que aqui aportou em 1946, loteou parte de sua propriedade rural em 62 lotes e uma praça posteriormente extinta, loteamento este a que denominaram de Vila Formosa, e que se constitui no primeiro loteamento devidamente regularizado como tal, e assim oficialmente fixado como marco inicial de Cambira. Da mesma forma, em 1954, Júlio Sapatini, Geraldo Marcato e Cecílio Nakad adquiriram de João Davantel uma área com 245.40l,93 m2 e a desmembraram em lotes urbanos, constituídos pelas Quadras de nº 1 a 18, a que denominou-se Loteamento Primitivo de Cambira. Sendo a área desmembrada do lote maior nº 134, foram as escrituras sendo outorgadas por João Davantel ou seu procurador, daí porque, embora sendo ele o primitivo loteamento, não foi como tal oficializado junto ao Cartório do Registro de Imóveis.
Inicialmente denominada de Vila São José do Cambira, foi ela elevada à condição de Distrito em 1953, com suas delimitações definidas pelo Decreto nº 30/53 de 26/11/53.
OUTROS INFORMES SOBRE CAMBIRA:
O sr. Diogo Ávila Munhoz, pai da tradicional família Ávila Munhoz (Diogo Jerônimo, bem como as esposas dos Srs. Angelo Mincachi e Antonio Pappa), era proprietário do lote de terras que atualmente pertence ainda aos seus descendentes. Seu neto João Perez Munhoz é o vice-prefeito empossado em 01.01.2005.
Homem afeito ao trabalho árduo da lavoura, de origem espanhola, de rígida disciplina, era, entretanto, desapegado dos bens materiais quando se tratava de beneficiar a comunidade. Assim doou à Paróquia toda a área onde hoje se concentram a Igreja Matriz de Cambira, a Praça dos Pioneiros, o Parque Infantil João Paulo I e o Salão Paroquial. Seus filhos e netos são também loteadores da Vila Santa Maria, e doadores das áreas onde estão construídos o prédio atual do PROVOPAR (antiga Prefeitura), e a preço simbólico venderam a área de 6.200 m2 para construção do Ginásio Gonçalves Dias, atual Centro Administrativo “Adelino de Melo Franco” (Prefeitura atual), bem como o da APAE, além da doação da área onde está situada a sede da Associação de Amparo aos Idosos de Cambira.
Pode ser considerado um pioneiro tanto na área rural quanto na área urbana, pois esse desapego dos bens materiais próprios em prol da comunidade é que distingue o pioneiro do homem comum.

Historico Rural

A colonização de Cambira foi feita pela Companhia Melhoramentos Norte do Paraná, que loteou e vendeu as terras aqui situadas. Assim, não tivemos aqui problemas relacionados com a posse de terras, o que se constitui num fato marcante para a paz e tranqüilidade de nossas famílias que não tinham também as aspirações políticas, eis que pertencentes ao Município de Apucarana.
A abertura dos lotes rurais deu-se por etapas. A primeira família a abrir e formar roça em Cambira foi a do Sr. Francisco Carneiro de Souza, que em 1936 derrubou alguns alqueires de mata no lote nº 109/110 da Gleba Cambira, fez plantações de café, cereais, cana, mandioca e retornou a Jacarezinho. Aqui fixou residência em definitivo em 1939, quando veio com a esposa e sete filhos. Em sua propriedade a família produzia rapadura, açúcar e industrializava farinha, comercializando cereais em Apucarana. Cedeu ainda área para o 1º campo de futebol de Cambira, para a prática desse esporte até inícios da década de 1950.
A primeira família a fixar residência em Cambira foi a família Piovesan. No dia 05/07/1937 o Sr. João Piovesan, vindo de Pirajuí, acampou na legendária Figueira (hoje inexistente), iniciando a abertura do lote nº 106/107 da Gleba Cambira, construindo um rancho que serviu de moradia para a família, que aqui chegou em 25/09/1937, num caminhão dirigido pelo Sr. Honório de Castro, trazendo seus filhos Rosa, José, Gildo, Antonio, Vitório e Aquiles Piovesan.
No mesmo ano o Sr. Pedro Blanco abria seu lote na Gleba Dourados. Em 1938, na região da Bela Vista chegavam Dito Alves, Carrascoso, Grossi e José Rodrigues, em 1939 a família Campanholi, e na Jangadinha a família Marafon, há muitos anos aqui residente.
Na região norte do município, que compreende os bairros Bejoim e Santa Luzia, já no início da década de l940 estabeleceram-se as famílias Nogueira e Lourenco; em 1942 a família Garcia e em 1950 Roldão Freire, primeiro pecuarista daquela região

Pioneiro que muito contribui com Cambira foi Zacarias Alves Domingues. Ele tinha dois ônibus que faziam a linha 300 Alqueires-Cambira-Apucarana. Era dono de uma venda no Município, que abastecia todas a região. Tansporte de ônibus também era negócio de Iliano Casini, que possuia três veículos fazendo a linha Bairro Sete de Maio-Itacolomi-Cambira.
A fertilidade da terra rocha para o cultivo do café fez com que viessem migrantes de vários Estados. O fluxo maior de migrantes deu-se no período compreendido entre 1940 e 1942, ocasião em que aqui aportaram as famílias mais tradicionais do Município, adquirindo terras e aqui fixando residências. Esta migração estendeu-se até o início de 1950. Foi assim que deixaram seu nome registrado na história cambirense.

Lendas e Mitos

O Esqueleto
O povo conta que na estrada que passa pela Mata do Ubatuba, ligando Cambira às Fazendas dos arredores, aparece um corpo seco (esqueleto humano).
O fato aconteceu da seguinte maneira: existiu um fazendeiro muito rico, que estava muito doente, doença esta que o deixou muito magro. Ele fez uma promessa à Nossa Senhora Aparecida que, se sarasse, iria até o seu Santuário em Aparecida carregado por quem quisesse para render graças e cumprir o prometido e que pagaria uma fortuna para quem quisesse levá-lo à pé, numa rede, pois não podia andar.
Dois homens se comprometeram a levar o fazendeiro e no dia da saída colocaram-no numa rede, receberam a quantia prometida e seguiram estrada afora.
Chegando na estrada ao lado da Mata, eles perceberam que o homem estava morto e resolveram deixar a “encomenda” dentro da mata e fugiram com o dinheiro.
Foi o que fizeram e nunca mais apareceram.
Hoje corre a lenda que o corpo seco aparece para as pessoas pedindo para levá-lo até Aparecida do Norte.
De todos que o viram, ninguém teve a coragem de satisfazer o pedido do esqueleto.

Cavalo Invisível
Certa hora da noite escura, numa certa parte da cidade, certas pessoas ouviram trotes de um certo cavalo invisível. As pessoas olhavam e batiam a janela depressa e iam rezar para aquela alma penada.
Um certo cidadão descrente destes assuntos resolveu investigar e descobriu que o cavalo não era invisível e sim de cor preta e estava montado por uma figura mitológica da cidade, de cor preta e que usava uma capa preta, e como a noite era escura como breu não dava para ver nem o cavalo e nem o seu cavaleiro.
O caso foi esclarecido, mas continuou o mistério: Por que esta figura passeou por este quarteirão por várias noites e num cavalo preto?
Pedras do Rio Cambira
Na divisa entre Cambira e Apucarana, encontra-se as Pedras do Eio Cambira, onde pessoas afirmam que elas foram feitas por Índios, outros que foram criadas através de lavas vulcânicas. O leito do rio corre sobre as pedras, formando um mosaico sextavado, que é a forma das pedras.
Muitos dos moradores que ali residem, afirmam ver bolas de fogo que passam por este caminho de pedras.
Fica a pergunta: Será realmente que os espíritos indígenas ainda guardam o local como se fosse um santuário deles?

FIGURAS FOLCLÓRICAS:
Toda localidade possui elementos que, à margem da sociedade, constituem-se, entretanto, parte integrante dela. Não fugindo à regra, Cambira também possuiu os seus, como:
* João Ferreira - conhecido como João do Pau, vindo do Estado de São Paulo, infundia respeito pelo seu passado de convivência com os coronéis da época. Trabalhou como guardião noturno do município até aposentar-se. Sua esposa Sebastiana viveu com o filho Antônio, funcionário da Prefeitura, até 2004, quando faleceu.
* Catarina - famosa pelas suas estridentes gargalhadas, sempre ligada aos trabalhos da Igreja e pronta para uma resposta ferina.
* Maringá - sempre com a viola dependurada. Sua esposa, Dª Antonia, apesar de idosa, sempre procurou sobreviver às suas próprias expensas.
* Tonho - um jovem residente em Itacolomi, que percorre diuturnamente todo o município a pé, é conhecido de todo mundo, menciona todas as famílias residentes no município, e através do qual pode-se medir as tendências políticas da população.
* Tonho - outra figura residente em Itacolomi, sempre pronto a auxiliar quem quer que seja; gosta de ser chamado de Delegado, e de ajudar a organizar o trânsito nos momentos de maior fluxo de carros.
* Carlão - um jovem de físico avantajado, amigo de todo mundo, que está sempre presente a todos os atos, quer cívicos, religiosos ou sociais, prestativo, de boa índole.
* Fiico - já falecido, de família tradicional, alegre, expansivo, famoso pelas palavras de sentido desconexo (uma mistura de Brasil/USA) que pronunciava freqüentemente; sempre esteve presente nos velórios, antes de sofrer uma fratura na perna que o impediu de locomover-se à vontade. Todos os anos saía com a Folia de Reis, sendo um dos seus membros.

Romaria

FAMILIA DE JOSÉ RIVELINI

No dia 05 de fevereirode 1943 o Sr. José Rivelini se estabelecia em Cambira com toda a sua família.Nela estavam sua esposa Maria, seus filhos Orlando e Osvaldo e as filhas Deolinda(Tite), Páscoa, Aparecida, Nadir e Claudia.

Em 1960 adquiriu umcaminhão Chevrolet Brasil 1959 zero km, e em novembro do mesmo ano afamília decidiu fazer uma romaria até Aparecida do Norte,tendo como motoristas opróprio Orlando e o sr. José Rafael.

Viagem difícil, numcaminhão coberto com lona e bancos improvisados de madeira, enfrentandouma estrada de terra batida até São Paulo, que durou doze dias para ser concluída.Além dos familiares foram também alguns amigos, como o Paduan e outros, todosimbuídos na fé em nossa Padroeira.

Em Maringá obtiveramuma licença para a viagem, mas próximo a São Paulo um guarda usou desua “otoridade” para diminuir a licença em cinco dias, o que inviabilizava avolta para casa. Felizmente um seu superior revogou o seu ato de arbitrariedade, e assimpuderam concluir a viagem sem maiores problemas.

Fica aqui registrada asaga e a disposição de um punhado de pessoas dispostas a enfrentar as maioresdificuldades para comprovar sua fé e amor à Padroeira do Brasil.



Serralheria

No desbravamento, e posteriormente, várias pessoas se destacaram em suas atividades: O Sr. Manoel de Almeida e seu irmão, em 1947, aqui montaram uma serraria, e graças a ela a cidade tomou impulso, não apenas com a oferta de empregos, impulsionando crescimento populacional da cidade e ensejando uma visão voltada para a urbanização, embora desordenada, mas principalmente porque veio facilitar o beneficiamento da madeira bruta, facilitando a construção de casas.
Há que se destacar que nesta indústria trabalharam como motoristas os Srs. Eros Boscardim Torres e Honório Arcanjo da Fonseca mais tarde proeminentes figuras na política e na segurança pública, além do destacado papel desempenhado pelas filhas do Sr. Manoel de Almeida na área educacional do Município. Naqueles ásperos anos da colonização, as crianças vinham ao mundo pelas mãos da Srª. Izabel Moya Calimam, de tradicional família cambirense, e no Bairro Sete de Maio pelas mãos da Dona Nina. Ambas foram homenageadas com seus nomes dados às creches de Cambira e Sete de Maio, respectivamente. Posteriormente, com a construção de novo prédio para a creche de Cambira, Izabel deixou de ser uma denominação para constituir-se apenas em uma inscrição de homenagem a ela, como consta da placa de inauguração do prédio.(Iniciativa do funcionário Paulo).
Há divergências informativas em relação ao primeiro médico, uns apontando o Dr. Mauro Garcia, outros o Dr. Jerson Luva. De concreto e provado temos o Dr. José Wilson de Freitas como primeiro Médico do posto de Saúde de Cambira, substituído pelo Dr. Manoel Ribeiro Ferraz, que ocupou o cargo de 10/11/1969 até 31/12/1977, tendo sempre como atendente a Srª. Selena Lapietra de Mello.
Além dos já citados, tivemos ainda como pioneiros nas mais diversas áreas de atividades:
1º Dentista - Sr. Acácio Barbosa;
1º Juíz de Paz - Antonio Abílio Sabag;
1º Delegado de Polícia - Aristóclides Ferreira do Prado;
1º Farmacêutico - Lázaro de Paula Rodrigues;
1º Coletor de Rendas Estaduais - Pedro Jasinski;
1º Agente de Rendas: João Isaque;
1º Tabelião de Cambira - Lázaro de Paula Rodrigues (11/05/1954);
1ª Escrivã Interina - Maria de Castro Rodrigues;
1º Tabelião Vitalício - Eros Boscardim Torres.
Uma das atividades importantes da época era a de Juíz de Paz. Eram homens de índole propensa ao diálogo, e que prestavam relevantes serviços na solução de pequenos atritos pendentes entre a população, bem como representavam o Juíz da Comarca nos casamentos. Na galeria destes homens notáveis, tivemos: Antonio Abílio Sabbag, Anilele Marezi, Jordão Beleze, Sebastião Gonçalves, Osvaldo Anelli, Guerino Debiase, José Belini, Maurilio Tamborelli, José Delvaz Guillen, José Decíneo Catâneo, Luiz Assolari, João Altair Croti, Antonio Passarin Filho (autor da Bandeira Nacional confeccionada com grãos de café), Iloido Carloto e muitos outros.

marcato